O que é a Gestalt-terapia?
- psimarigurgel
- 26 de jan. de 2024
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Quando atendemos um paciente na Psicologia Clínica, seguimos abordagens teóricas que norteiam nossa visão de mundo e orientam nossas intervenções psicoterapêuticas.
A Gestalt-terapia é uma abordagem fenomenológica e existencial que surgiu na década de 1950, criada por Frederick Perls e mais seis coautores, em contrapartida à abordagens comuns na época. Essas abordagens reduziam o sujeito somente ao biológico ou à interpretações, descartando a percepção da realidade que este sujeito teria da sua vida. Assim, a Gestalt-terapia foi crida com o objetivo de trazer uma nova perspectiva de ser humano, enfatizando o autoconhecimento, satisfação, auto suporte e crescimento pessoal, vendo o homem como capaz de gerir a própria vida.
Fenomenológico? Existencial? Mas o que isso significa?
A fenomenologia é uma corrente de pensamento e um método, que busca estudar os fenômenos da consciência (pensamentos, emoções, etc.) conforme eles se mostram. Isso quer dizer que o terapeuta seguindo o método fenomenológico não vai interpretar o seu problema com base na perspectiva dele, e sim conduzir um processo de descrição do que está acontecendo na sua vida, a partir da perspectiva do paciente. Isso também significa que a Gestalt-terapia trabalha os problemas no momento presente, ainda que questões do passado ou do futuro também possam ser trabalhadas se aparecerem como figura no atendimento.
Já o existencialismo é um conjunto de doutrinas filosóficas que buscam compreender a existência humana nas suas circunstâncias concretas. O ser humano é concebido como um ser livre e responsável por construir a própria existência, pois estamos fazendo escolhas a todo momento, ainda que não percebamos. Ao considerar o paciente como um ser particular e responsável, a proposta do Gestalt-terapeuta é levá-lo a tomar conhecimento do seu projeto de vida e assumir as "rédeas" dele. Isso significa que o terapeuta busca ampliar a consciência da pessoa de si no mundo, para que ela possa fazer escolhas autênticas, que tenham significado para si.
Atenção: isso não significa que o Gestalt-terapeuta seja passivo no processo, pois é assumida uma postura horizontal na qual terapeuta e paciente constroem o processo em conjunto.
Em busca de sentido
A necessidade de dar sentido à vida está presente em todos nós. Quando nos afastamos do que queremos verdadeiramente ser ou fazer, sentimos que nossa vida e nossas escolhas não têm sentido, o que caracteriza o vazio existencial. O vazio existencial pode aparecer como depressão, ansiedade, fobias, entre muitas outras dificuldades. Esse estado é inautêntico, causando sofrimento.
Sendo assim, o Gestalt-terapeuta tem como objetivo cuidar do paciente numa postura de ajudá-lo a se reconhecer e fazer escolhas próprias, para que ele se torne cada vez mais autêntico e consiga mudar sua forma de estar e se relacionar no mundo. O cuidar na Gestalt-terapia surge como encorajamento, sem impor roteiros para serem seguidos e sem exigir resultados, ajudando o paciente a respeitar suas fragilidades e reconhecer as suas forças no seu próprio ritmo.
Concluindo
A Gestalt-terapia é uma abordagem que visa ajudar o cliente não apenas a retomar seu processo de se ajustar criativamente às dificuldades da vida, mas facilitar o auto desenvolvimento de pessoas que, no momento, não estão vivenciando nenhum conflito ou psicopatologia.
Além da fenomenologia e do existencialismo, a Gestalt-terapia possui outras filosofias e conhecimentos de base, como a Teoria de Campo de Kurt Lewin, a Teoria Organísmica de Goldstein, e a própria Psicologia da Gestalt, que nomeia a abordagem. Assim como a ampla base teórica, é também reconhecida na Gestalt-terapia o desenvolvimento prático de experimentos e técnicas, sendo uma abordagem viva e em constante desenvolvimento.
Por Mariana Morais Gurgel

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